quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Autores...



Isabel Leiria

O PAPEL DOS CONHECIMENTOS PRÉVIOS NA AQUISIÇÃO DE UMA LÍNGUA NÃO-MATERNA*

Linhas orientadores para o ensino do português enquanto língua não materna.



Armanda Costa

Colóquio Leitura: investigação e ensino Resumo (gostaria de saber se há ou haverá alguma publicação...)


João Costa

Omissão de clíticos na aquisição do português europeu:
dados da compreensão


Acquisition of focus marking in European Portuguese.
Evidence for a unified approach to focus.


Teoria sintáctica e aquisição da língua materna:
o que temos aprendido?


A multifactorial approach to adverb placement: assumptions, facts, and problems

Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa

Mais uns sites e autores ... (ainda do 1º dia!)



Tive uma "Senhora Virose" no computador e ele foi para o "Estaleiro"... Peço desculpa pela interrupção. Agora, graças a um "médico excepcional" veio melhor que novo...

Continuando...

Mais sites importantes e documentos vários:

Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC)

PROGRAMA PARA INTEGRAÇÃO DOS ALUNOS QUE NÃO TÊM O PORTUGUÊS COMO LÍNGUA MATERNA

2010 Instituto Camões - Ministério dos Negócios Estrangeiros - Portugal


Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL)


O Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL) é uma unidade de Investigação & Desenvolvimento integrada na Universidade de Lisboa, dependendo da Faculdade de Letras.

No Laboratório de Psicolinguística –infelizmente a maioria dos texto têm a informação de “brevemente disponível”.
Entre os que estão disponíveis encontramos neste link os resumos de:
“Compreensão na Leitura. Processamento de palavras, frases e textos”
“Teste de Avaliação da Produção Articulatória em Português Europeu (TAPA-PE)”

ChapterIII Contrastive Analysis[DOC]

Uma revista… Cambridge Journals Online
com muitos Studies in Second Language Acquisition

The Psycholinguistics of the Interaction Approach1[PDF]

Is There A Right Way To Deal With Errors In Second And Foreign Language Learning?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Alguns autores...



Nota prévia: podem clicar nos autores pois já aprendi a inserir o link (!...) e, em principio, abrir-se-á uma janela com um texto do autor, um livro na integra ou onde o encomendar, biografias, bibliografias ou...
Pode acontecer que cada um dos nomes de um autor esteja ligado a um link o que implica que um só autor possa ter mais do que uma ligação associada ao seu nome.



Nomes importantes para "ESCRITA":

Pedagogia da Escrita - Fernanda Irene Fonseca -

Bereiter -

Scardamália

Luís Barbeiro

Luís Brandão
Encontrei as obras
I Vidas de Galba e Otão
II Máscaras dos Césares. Teatro e Moralidade nas «Vidas» Suetonianas
III No banquete-I : livros I-IV / Plutarco

José Cristiano (erros)

Perpétua Gonçalves (Maputo) (tipologias de erro)

Jocelyne Giasson


Nomes importantes para "Leitura":

Maria de Fátima Sequeira


(continua...)

ALTE - Níveis de proficiência



ALTE

A ALTE (Association of Language Testers in Europe)
é uma associação formada por diversos órgãos certificadores das línguas europeias. Foi fundada em 1989 pelas Universidades de Cambridge (Reino Unido) e Salamanca (Espanha) com o objectivo de estabelecer níveis comuns de proficiência e promover o reconhecimento internacional das certificações europeias. Actualmente tem mais de 29 membros.
Sendo assim, a ALTE também tem uma tabela de seis níveis de qualificação que correspondem aos seis níveis propostos pela União Europeia. A equivalência é a seguinte:
A1 - ALTE Breakthrough
A2 - ALTE Level 1
B1 - ALTE Level 2
B2 - ALTE Level 3
C1 - ALTE Level 4
C2 - ALTE Level 5

Essa estrutura da ALTE foi desenhada em conjunto com os países membros e por especialistas em linguística.
No intuito de fazer os níveis propostos pelo Common European Framework mais fáceis de entender, a ALTE desenvolveu uma série de indicações do "Pode fazer" para cada um dos níveis. Essas indicações descrevem o que os usuários da língua conseguem fazer tipicamente nos diferentes níveis e contextos.

Os seis níveis

Usuário básico
A1: Consegue compreender e usar expressões conhecidas do dia-a-dia e frases básicas dirigidas para a satisfação concreta de uma necessidade. Consegue apresentar-se aos outros e responder perguntas sobre si, tais como onde mora, pessoas que conhece e objectos que lhe pertencem. Consegue interagir de forma simples desde que a outra pessoa fale devagar e claramente e esteja preparada para ajudar.

A2: Consegue compreender frases e frequentemente usa expressões relacionadas com as áreas de relevância imediata (informação pessoal e familiar, compras, geografia local e emprego). Consegue comunicar em tarefas simples e rotineiras que requerem troca de informação simples e directa como assuntos do seu conhecimento. Consegue descrever aspectos simples do seu passado, ambiente imediato e áreas de necessidade imediata.

Usuário independente
B1: Consegue compreender os pontos principais de assuntos conhecidos com que se depara regularmente no trabalho, escola, lazer. Consegue lidar com quase todas as situações que possam surgir. Consegue redigir textos simples e bem organizados sobre um assunto do seu interesse ou conhecimento. Consegue descrever experiências e eventos, sonhos, esperanças e ambições, e dar breves razões e explicações de opiniões e planos.

B2: Consegue compreender as linhas gerais de textos mais complexos sobre assuntos concretos ou abstractos, incluindo técnicas de discussão numa área da sua especialização. Consegue interagir com um certo grau de fluência e espontaneidade com falantes nativos da língua. Consegue redigir textos claros e detalhados sobre vários assuntos e consegue explicar o seu ponto de vista sobre um determinado assunto, mostrando as vantagens e desvantagens.

Usuário proficiente
C1: Consegue compreender uma variedade de textos cada vez mais longos e exigentes, e reconhece o significado implícito. Consegue expressar-se espontaneamente e com fluência, sem grandes hesitações aparentes. Consegue usar a linguagem de forma flexível e eficaz para fins sociais, académicos e profissionais. Consegue redigir textos claros, bem estruturados e detalhados sobre assuntos complexos, mostrando controle de técnicas organizacionais, de coesão e ligação.

C2: Consegue compreender com facilidade tudo o que lê e ouve. Consegue (recolher e )resumir informação de diferentes fontes, tanto escritas como faladas, reconstruir argumentos, numa apresentação coerente. Consegue expressar-se espontaneamente, com precisão e fluência, diferenciando os mais leves significados de situações cada vez mais complexas.

Vale lembrar que esses seis níveis são válidos para os certificados e não têm nada a ver com os testes que avaliam o seu nível linguístico no momento em que o faz. Por exemplo, em inglês existem cinco certificados (KET, PET, FCE, CAE e CPE), que são aplicados pela Universidade de Cambridge.

O IELTS é o principal teste de inglês também aplicado pela Universidade de Cambridge. Nele quem o faz tira uma nota e não é reprovado, porque é o nível de qualificação em Inglês que está sendo medido. Já no caso dos certificados, quem o faz passa ou não, é um exame.

Ambos são aceites por universidades do mundo inteiro. Porém, é imposta uma nota mínima no caso do IELTS e um nível mínimo no caso dos certificados. "Os certificados têm níveis diferentes: a universidade pode aceitar desde o CAE até o CPE. Talvez não aceite o FCE. Quando a universidade aceita os certificados, vai determinar quais níveis daquele certificado serão aceites. Não é qualquer um. Para aceitar o IELTS, irá atribuir uma nota. Essa é a diferença", explica a gerente nacional de exames do British Council, Rosane de Génova.



(Para saber o local da imagem clique no título)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Nível de proficiência"( I )



Um trabalho do ILTec
http://www.iltec.pt/divling/_pdfs/cd2_proficiencia_linguistica.pdf

Despacho Normativo n.º 7/2006
http://www.min-edu.pt/np3content/?newsId=1227&fileName=despacho_normativo_7_2006.pdf
Rectificações
http://www.educacao.te.pt/professores/index.jsp?p=173&idCategoria=22&idTipo=2&idDocumento=1448

Lingu@net Europa o centro multilingue para a aprendizagem de línguas! Contém apontadores para 3.718 recursos catalogados pela equipa do Lingu@net Europa
http://www.linguanet-europa.org/plus/pt/resources/learning.jsp

ALTE – A Association of Language Testers na Europa
http://www.alte.org/about/index.php

Os principais objectivos da ALTE são:
•abordar questões de qualidade e equidade relacionados com os exames que os
membros fornecem.
•estabelecer normas comuns para todas as fases do processo de teste de
língua e de aderir a esses padrões, ou seja, para o desenvolvimento do
teste, a tarefa e escrever item, a administração de ensaio, marcação e
classificação, apresentação dos resultados de ensaio, ensaio e análise de
relatórios de resultados;
•promover o reconhecimento transnacional da certificação na Europa, por
referência aos níveis comuns de proficiência estabelecidos pela ALTE e
membros do Quadro Europeu Comum de Referência.
•exercer actividades para a melhoria dos testes de avaliação de linguagem e
na Europa, através da colaboração em projectos conjuntos e na troca de
ideias, conhecimentos e partilha de melhores práticas, especialmente por
meio de grupos de interesses especiais.
•fornecer treino em testes de linguagem e de avaliação
•sensibilização sobre questões relacionadas com a avaliação de linguagem
- assegurar duas reuniões de membros por ano, com duração de três dias,
o último dia que será um dia de conferência aberta – um fórum de
discussão com uma audiência mais ampla de testes de linguagem e
questões de avaliação na Europa.
•assegurar a liderança no campo da avaliação de linguagem global
- pela realização de uma conferência internacional em testes de
linguagem e avaliação a cada três anos.
- pela exploração de outros eventos abertos na Europa a permitir uma
troca de ideias e partilha de melhores práticas.
Universidade de Lisboa (UL) Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira – CAPLE
http://www.alte.org/members/portuguese/ul/en/index.php

"Revista(?) Mobilidade"
Brasil Mobilidade intercâmbio

União Europeia padroniza classificação de certificados de proficiência
Com novo padrão, certificados concedidos por instituições internacionais são enquadrados de acordo com o nível de proficiência medido nos testes de línguas
Publicado em 20/10/2005 - 00:01

http://www.universia.com.br/mobilidade/materia.jsp?materia=8900

Tabela de equivalência
http://www.alte.org/alteframework/table.php

já funcionam os links...
(clique no título para saber o local da imagem)

domingo, 10 de outubro de 2010

Mudanças...



Iniciou-se este fim de semana um novo rumo: Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa.

O primeiro Seminário intitulado Multilinguismo e Política Linguística é da responsabilidade de Catarina Gaspar. "Pretende-se nesta UC equacionar qual a posição da língua portuguesa no contexto multilingue da Europa; perceber quais as políticas e estratégias das instituições europeias em relação ao multilinguismo. Além disso, porque a diversidade linguística e cultural tem implicações profundas na divulgação e no ensino e aprendizagem das línguas, e particularmente num contexto em que uma mesma língua é veículo de várias culturas nacionais resultantes de processos coloniais, esta UC tem como objectivo o estudo da política da divulgação da língua portuguesa e das culturas de língua portuguesa e suas implicações nas relações interculturais, internas e externas."
citação de http://www.fl.ul.pt/processo_bolonha/2ciclo_1011/LCP_seminarios.pdf

Teve início com a conferência do Professor Paulo Osório e a aula da Professora Catarina Gaspar. Irá decorrer na Escola Secundária do Monte de Caparica.

Foi um primeiro encontro agradabilíssimo num grupo muito interessado, rico e descontraído.

Começaram as dúvidas: multilinguismo, plurilinguismo, bilinguismo, diglosia?

Começaram os desafios - para dia 22: a avaliação do nível de proficiência da Língua Portuguesa Não Materna em Portugal e no Brasil é diferente? Se sim ou não porquê? Quais os níveis num e noutro? Quais os princípios orientadores?

Tenciono, ir actualizando este Blog com as minhas pesquisas e gostaria que o fossem enriquecendo com as vossas sugestões.

Também irei deixar os sites que nos forem sendo sugeridos de modo a tentar criar uma espécie de pasta de reserva :-) (Os endereços terão que ser seleccionados e colados no browser pois ainda não sei como criar link automático no texto do Blog... mas lá chegarei, digo eu!:)

Para já deixo-vos um artigo a que podem aceder clicando no título e que encontrei quando andava à procura de uma Torre de Babel para ilustrar este post sobre multiculturalidade (e as dificuldades de integração nas nossas escolas). Está em inglês mas a tradução não fica muito má(?)se o copiarem para o tradutor do google para quem necessitar, claro!

Também vos gostaria de deixar este outro endereço que me foi gentilmente cedido pelo professor Osório:
- http://www.iltec.pt - Instituto de Linguística Teórica e Computacional e onde após pesquisa encontrei as definições de multi, pluri e bilinguismo entre outras aqui:
- http://www.iltec.pt/divling/_pdfs/cd1_apresentacao.pdf a partir da página 5.


Sites e páginas importantes

Faculdade de Letras: http://www.fl.ul.pt/processo_bolonha/cursos_2ciclo.htm

Instituto de Linguística Teórica e Computacional: http://www.iltec.pt

Carta Europeia das Línguas Regionais e Minoritárias: http://www.agal-gz.org/portugaliza/tvsptnagaliza/carta_linguas.pdf

Comissão Europeia-Multilinguismo-Estudos: http://ec.europa.eu/education/languages/eu-language-policy/doc126_pt.htm

Comissão Europeia-Multilinguismo-Estudos-Aprendizagem de línguas: http://ec.europa.eu/education/languages/language-learning/index_pt.htm?cs_mid=132

Unesco-educação: http://www.unesco.org/en/education

Mercator European Research Centre on Multilingualism and Language Learning: http://www.mercator-research.eu/

(não consegui aceder a http://www.eblul.org do European Bureau of(?)ou for(?)Lesser Used Language nem ao http://ec.europa.eu/education/languages/archive/key/studies_en.html dos estudos sobre ensino/aprendizagem de línguas na Europa)

Também irei tentar deixar a lista dos autores que devemos estudar e que vão sendo referidos. Os deste fim de semana ficam para o próximo post.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sugestão para "trabalhar" a TRISTEZA

Cai chuva do céu cinzento





Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.


Fernando Pessoa
Poesias Inéditas

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Estado português gasta 6.677 euros com cada aluno por ano



"Se houver uma galinha para dois e um a comer toda as estatísticas dizem que cada um comeu metade... "

(...)Os dados do relatório mostram ainda que seguir até ao Ensino Superior é compensador, tanto em termos de empregabilidade, como de rendibilidade. Afinal, um licenciado tem mais probabilidade de conseguir emprego e a possibilidade de atingir um vencimento que seja o dobro do salário mediano português é uma realidade para 60% da população empregada (ver infografia). Isto significa que em Portugal "vale a pena continuara a estudar até ao Superior", continua Pedro Telhado Pereira. No entanto, a OCDE revela que, em Portugal, há uma diferença de apenas 6% entre a taxa de empregabilidade daqueles que terminam o secundário e os que concluem uma licenciatura. Já para os que deixam de estudar antes do secundário, apenas 58,7% arranjam emprego, na média dos 30 países da OCDE, sendo que esse valor em Portugal dispara para os 71,7%.

Outro dado a assinalar está relacionado com o dinheiro gasto pelo Estado português com bolsas atribuídas aos estudantes: 11,2% da despesa com Educação tem esta finalidade, um valor, ainda assim, muito abaixo do da Finlândia (com 15,5%), um país que tem sido dado como um exemplo a seguir pela ministra da Educação, que ainda recentemente se referiu ao sistema de não reprovação deste país como um modelo "cheio de virtudes".

Apesar da frequência do ensino secundário ter aumentado cerca de 30%, Portugal é um dos cinco países da OCDE (em 30) em que apenas um terço da população terminou o 12º ano, ou seja, 28% do total da população activa (entre os 25 e os 64 anos).

Numa altura em que o Governo elevou o ensino obrigatório para 12 anos, Portugal ocupa nesta matéria o último lugar no ranking da OCDE. Já na frequência do Ensino Superior, Portugal consegue superar as médias da OCDE e da União Europeia, tendo 11% dos estudantes a frequentar a universidade, enquanto ambas as médias (OCDE e UE) são de 9%.


Catarina Madeira e Pedro Quedas
07/09/10 07:05

(clique no título para ver a notícia completa)

Governo vai acabar com ensino recorrente



A notícia vem hoje publicada no matutino lisboeta "O Público".

As escolas foram informadas na segunda semana do passado mês de Agosto.

No corrente ano de 2010, já não funcionam as turmas do 10º. ano do ensino recorrente, mas, apenas, as do 11º. e 12º. anos.

Quem deixar as disciplinas em atraso, só as poderá concluir no ensino secundário, durante o dia.

Em alternativa ao secundário nocturno, o Governo apresenta duas opções: os cursos de formação para adultos e o programa "Novas Oportunidades".

Notícia : Antena 1/Açores com jornal "O Público"


(clique no título para ver o artigo)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A SALA DE AULA COMO ESPAÇO DE VIVÊNCIA E APRENDIZAGEM...






...(mais) um exemplo que vem do Brasil

Apesar de a educação de jovens e adultos ser uma atividade especializada e com características
próprias, são raros os cursos de formação de professores e as universidades que oferecem formação
específica aos que queiram trabalhar ou já trabalham nesta modalidade de ensino. Igualmente, não são
muitos os subsídios escritos destinados a responder às necessidades pedagógicas dos educadores que
atuam nas salas de aula da educação de jovens e adultos. Procurando apoiar esses educadores, a
SECAD apresenta a coleção Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos, composta de cinco
cadernos temáticos. O material trata de situações concretas, familiares aos professores e professoras, e
permite a visualização de modelos que podem ser comparados com suas práticas, a partir das quais são
ampliadas as questões teóricas.


Em A SALA DE AULA COMO UM GRUPO DE VIVÊNCIA E APRENDIZAGEM, segundo caderno desta
coleção, são apresentadas algumas estratégias capazes de gerar, desenvolver e manter a sala de aula
como um grupo de aprendizagem onde cresçam os vínculos entre educador/educando e educandos
entre si.


(clique no título para ver o documento)

sábado, 7 de agosto de 2010

6 de Agosto de 1945


Rosa de Hiroshima
Vinicius de Moraes
Composição: João Apolinário / Gerson Conrradi

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pepetela




Magnífico Reitor da Universidade do Algarve.
Ex.mo Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Magnifico Reitor da Universidade de Cabo Verde,
Senhor Director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais e outras autoridades académicas,
Senhor Embaixador de Angola,
Senhora Vereadora da Câmara Municipal de Faro
Senhora Governadora Civil de Faro,
Senhor Presidente da Associação Académica
Membros do corpo docente e discente desta Universidade,
Prezados convidados, familiares e amigos,
Minhas senhoras e meus senhores,

Tocou-me vivamente o gesto da Universidade do Algarve, ao se lembrar de me outorgar o título de Doutor Honoris Causa. Compreendo o gesto como vontade de homenagem que ultrapassa o próprio homenageado, mas também e principalmente visa uma literatura e uma nação, a angolana. Porque muito dificilmente se separará a obra e a vida de um escritor da história e cultura do seu povo. Agradeço profundamente a ideia desta celebração, que muito me honra e quero pois dedicá-la, com vossa permissão, ao povo angolano. Dedico-a também à minha mãe, que, como verão em seguida, teve um papel decisivo no meu percurso e à minha mulher, Filomena, infelizmente ausente nesta ocasião, responsável pelo menos por metade daquilo que tenho produzido. Agradeço também as generosas palavras de apresentação do Magnífico Reitor da Universidade de Cabo Verde, o Professor António Correia e Silva.

No meu fraco entender, considero que um ficcionista deve contar preferentemente estórias e não falar ou escrever sobre aquilo que é o seu trabalho íntimo, talvez o mais íntimo dos trabalhos humanos. Chamemos discrição ou suma vaidade a este cuidado de não revelar intimidades. Há porém escritores, também especialistas em teoria literária e que, sem cair em esquizofrenias, conseguem analisar, ponderar e divulgar aquilo que vão descobrindo nos textos ditados pela sua própria imaginação (alguns denominam subconsciente). Admiro a sua capacidade e até ousadia de exposição mas sou incapaz de os seguir. Da mesma maneira, não sou capaz de escrever mais de dez linhas sobre o trabalho de outro escritor sem começar a contar estórias que a meus olhos melhor o definem em contraposição às analíticas palavras habituais.
Dito isto, decidi para este acto complicado da minha vida (embora possa não parecer, convivo muito mal com as luzes da ribalta e, sobretudo, quando se trata de homenagens que sinto sempre não suficientemente merecidas). Mas dizia, decidi escrever algo que já tenho contado em entrevistas, em encontros com leitores ou alunos de escolas, mas nunca tinha vertido para o papel, dando-lhe assim mais espessura e talvez durabilidade. Portanto, tento aqui a resposta à sacramental e terrível pergunta: como começou a escrever ou como se tornou escritor? (O que não é exactamente a mesma coisa). Pois bem, vou contar-vos uma estória, verídica na sua essência, talvez ligeiramente ficcionada na sua forma, forçado pela necessidade da economia de tempo. Mas em todo o caso estória matemática, pois é de facto uma equação com várias incógnitas.
Tinha quatro anos de idade, quando a minha mãe me ensinou a reconhecer os números para poder jogar com dados um passatempo onde os cavalos avançavam sobre casas numeradas, transpondo obstáculos. E depois explicou-me como o meu cavalo saltava, contando as casas em função da sorte dos dados. Também havia penalidades, que consistiam em recuar algumas casas. Tinha de as contar. E, na varanda de trás da casa de Benguela onde nasci e vivi até aos cinco anos, arejada pela brisa brisando entre mamoeiros e goiabeiras do quintal, deitado no chão morno, no meu recato de solidão, fui lançando dados e fazendo avançar os cavalos, ao mesmo tempo que ouvia os pássaros em eternas serenatas amorosas e as máquinas embirrentas do vizinho Jornal de Benguela a atroar os silêncios de uma cidade semi paralisada no tempo. Até a minha mãe descobrir um dia que eu tinha aprendido a somar e subtrair, como se dizia na altura. A partir de então, fui uma espécie de macaco de feira. Nos jogos de futebol, os letrados da terra, no intervalo, passavam o tempo morto a me perguntarem quanto eram 12 mais 5 ou 18 menos 3. E lá lhes respondia, meio encabulado, ainda sem idade ou descaramento para lhes pedir com uma lata o tinido das moedas que provavelmente merecia por acertar nas respostas. Como qualquer macaco de feira. Podem crer, não sentia orgulho nenhum pelo aparente brilho do meu desempenho, antes a humilhação do macaco prisioneiro forçado a exibir-se para gáudio de uma qualquer plateia.
Minha mãe era sem dúvida uma professora frustrada, por nunca ter podido exercer a profissão que consideraria a mais nobre do mundo. Por isso, entusiasmada com a experiência didáctica anterior, embalou-se a ensinar-me a ler e escrever, tinha eu cinco anos. E entretanto fui descobrindo tesouros escondidos nos meus silêncios de menino recatado, ouvidor atento das conversas se processando na varanda ou no quintal. Aconteceu pois que, aos seis anos incompletos, e ao entrar na escola, já sabia todo o programa da primeira classe. Dois meses depois, promoveram-me para a segunda, a qual fiz sem mais dificuldades. A dificuldade derivou então para a escola, apanhada na sua própria armadilha. Iam ter de me admitir na terceira classe ainda com seis anos de idade, embora por escasso mês, devido ao calendário escolar da época. Não sei como se passaram exactamente as coisas, se o director escreveu para o delegado distrital pedindo desesperadamente orientações, se apenas o caso se circunscreveu à jurisdição da escola, mas acabaram por chamar a terreiro o especialista de maior nomeada para resolver tão intricado caso, o médico da terra, que por coincidência era irmão do meu pai. E o meu tio, que antes já tinha admoestado o casal por andar a cansar exageradamente o meu jovem e frágil cérebro, só capaz de assimilar o que o programa normal da escola indicava, foi determinante na decisão da escola: o menino não podia entrar na terceira classe com seis anos, era quase crime de lesa-majestade ou pelo menos de lesa-saúde cerebral, e portanto teria de repetir a segunda. A ciência falou, todos respeitaram. Erro fatal ou força do destino? Na época não frequentava os kimbandas, os nossos adivinhos tradicionais, e por isso não vos poderei responder. Mas de facto aqui começa a estória.
Ao fim de pouco tempo, a professora, aliás a mesma do ano anterior, me punha a corrigir os exercícios dos colegas, enquanto se abanava feliz num canto, até se abater com o sono provocado pela modorra do clima. Eu era o mais novo e o mais pequeno da classe, convém dizer. E corrigia matulões, daqueles que chumbavam pelo prazer de irem à praia fugindo das aulas e já experimentavam acender beatas nos recreios. Por vezes choviam ameaças, eh miúdo, como é que puseste errado no meu problema ou então, por que é que me marcaste tantos erros no ditado? Ou atentados parecidos, merecendo vingança nos jogos de futebol debaixo dos majestáticos jacarandás e mulembas do pátio da escola onde não era poupado a umas boas caneladas dignas de cartão vermelho, inexistente na época. Havia entretanto uma prova que me passou a pôr os nervos em franja, chamada redação, hoje composição, creio. Era sempre a mesma coisa. Sobre o gato, cão, boi ou pato, demonstrar como eram animais úteis ao homem. Deixem-me acrescentar, também havia dissertações sobre o pinheiro, a amendoeira ou o castanheiro, árvores que desconhecíamos obviamente, jamais saídos de território tropical. Ainda se fosse um imbondeiro… Já tinha feito esses exercícios no ano anterior. E teria de repetir a mesma lengalenga nesse ano. Eu que nunca gostei de repetir coisas.
Aqui entra a terceira variável da equação, o Thor, ainda não merecedor de trabalhar dentro de casa e confinado a tratar do quintal, não só por demasiado pequeno para limpar móveis e loiças mas sobretudo por ter vindo directamente do interior, sem educação urbana portanto. Continua a ser para mim um mistério o nome Thor, pois não pertence a nenhuma etnia da região, conhecendo-o como um dos deuses dos Viking. Provavelmente terá sido herdado de algum grupo de alemães ou equivalentes avançando para norte nos carros bóeres de oito juntas de bois, fugidos da actual Namíbia e falando línguas guturais do norte da Europa, em princípios do século passado. Ele provinha de um ponto de confluência de três povos, dois de pastores e um de agricultores. Pertencia aos agricultores. E contava as lutas entre pastores e agricultores por causa da posse das terras, mas também as lutas derivadas dos costumes pastoris de roubar um boi ao grupo adversário para um jovem passar a ser considerado adulto, tradição que ainda hoje se mantém e por vezes é causa de conflitos mais ou menos graves. Thor sabia estórias. Até mesmo as passadas bem antes de ter nascido e que permaneciam na memória colectiva do Planalto Central como momentos de grande terror, tais as célebres razias dos incomparáveis cavaleiros kuanhama, vindos muito do sul para confiscar gado e mulheres. E gostava de narrar, hábito adquirido no seu terreiro natal em que toda a vida social se passava ao fim de tarde e parte da noite à volta da fogueira, ouvindo os mais velhos e sábios relatar cenas do presente e do passado. Talvez também adivinhando futuros, quem sabe.
Em suma, íamos para cima de uma acácia à frente de casa e ele contava as mesmas ocorrências, porém nunca da mesma maneira.
A acácia rubra merece um parágrafo especial e peço licença para o introduzir. A casa nova, onde então habitávamos, tinha sido construída ao lado do antigo leito do rio Corinje. O meu pai era jovem quando desviaram o leito do rio para sul, servindo assim de limite ao território. É da sua recordação os antílopes irem beber água ao Corinje e os leões e onças aproveitarem a carne tentadora. A lenda contava que ao lado do rio, teve lugar uma luta de morte entre dois heróis: um leão de juba farta e acobreada e um homem armado apenas de um punhal. Foi alguma gazela o fruto da disputa? A lenda não reteve a razão. Apenas que o combate foi demorado e terminou com a morte de ambos os adversários. Diz ainda a lenda que o sangue dos dois heróis correu para a depressão onde uma jovem acácia brotava. Alimentada por esse sangue quase sagrado, a árvore ultrapassou as irmãs em altura e deu sempre flores mais encarnadas. Também os seus ramos grossos eram melhores para nos sentarmos neles e observarmos o contínuo movimento da rua. Pois bem, era para cima dessa acácia rubra que íamos conversar e Thor me contava as estórias do seu povo e dos vizinhos belicosos. Sempre fui amante de estórias, passava o tempo a pedi-las a todos os da casa, em especial ao cozinheiro e à lavadeira, que explicavam as cenas acontecidas nos seus bairros marginais, sem luz elétrica, sem água canalizada, sem lojas e sem asfalto, mas com muitos dramas, sofrimento e também paixões avassaladoras e gestos de heroísmo. Eu era um ouvidor de estórias. Mas não as sabia contar. E Thor insistia comigo, conta lá uma, e eu não o satisfazia, achava que não era capaz de as narrar com a mesma intensidade e o mesmo colorido que ouvira. Por isso me remetia à obscuridade da plateia e nunca ao fulgor do palco.
Aqui voltamos à segunda incógnita da equação, a escola.
Cansado de repetir as mesmas escritas sobre o melhor amigo do homem ou todas as partes do boi aproveitáveis, desde os chifres aos cascos, resolvi um dia arriscar as mãos numas reguadas e narrei uma estória, onde o tema pedido era respeitado, mas não as regras da demonstração, pois de ficção se tratava. Entregue o trabalho, arrependido já do rasgo impensado de ousadia, preparei-me para o justo castigo da palmatória de cinco olhos. Surpresa. A professora leu e releu, sorriu e depois partilhou a minha primeira estória escrita com toda a aula. Era isto mesmo que queria que vocês fizessem, rematou. Não só salva a integridade física, como elogiado. É claro, nunca mais segui as regras da demonstração escolástica. Ao menos divertia-me a inventar coisas sobre os temas pedidos. E a ouvir elogios, que sempre soavam melhor que as frequentes palmatoadas. E, talvez o mais importante, a ter estórias para o Thor. Subíamos à acácia, ele contava uma e eu lia o que não sabia contar. Tomado o gosto, não parei mais de escrever essas pequenas narrativas, cada vez mais desligadas dos temas escolares e entrando nas experiências de um menino na complexa e polissémica cidade de Benguela, em que parte considerável da população, cerca de metade, era mestiça e praticamente toda ela se orgulhava de ser do contra, qualquer que fosse o governo ou regime. Até hoje, se me permitem acrescentar, é um orgulho citadino o facto de ter sido o único espaço do então império português em que oficialmente ganhou as eleições de 1958 o general Humberto Delgado. Oficialmente, repito.
Outra variável a ter em conta: o gosto pela leitura e a boa biblioteca que tínhamos em casa. E um tio do lado materno, este jornalista, que começou a explicar-me certos assuntos que ninguém ousava esclarecer: por exemplo, porquê no nosso bairro, fronteira com a sanzala, os negros não dormiam dentro das casas mas nos anexos? Porquê eram criados, cozinheiros, lavadeiras, mas nenhum professor ou médico? Porquê Thor nunca tivera oportunidade de frequentar a escola? Aos treze anos, esse tio deu-me a ler Proudhon, com muitas recomendações de cautela, ninguém pode saber, lê às escondidas. Depois admiram-se de eu ser até hoje utópico e achar ainda que a propriedade está associada ao roubo…
As preocupações sociais e mais tarde políticas moldaram certamente a literatura que passei a fazer na adolescência. Eram gritos de revolta, um pouco anarquistas, abafados, porque reservados à escrita clandestina. No resto era um adolescente como os outros, jogando futebol, gostando de cinema e tentando namorar as miúdas mais bonitas. E pouca gente sabia que gastava parte das minhas noites a escrever estórias, muitas que não completaria, como o meu primeiro policial, até hoje sem a última página para desconhecer o nome do assassino. Diga-se de passagem, sem as outras páginas também, porque todas essas experiências de juventude foram perdidas ao longo da vida. Não é grave, o seu valor era mínimo, apenas o da memória.
Terá sido o jogo destas variáveis que me fez escritor? Talvez, e certamente umas variáveis mais importantes que as outras, mãe empenhada, obrigatoriedade de repetir um ano escolar, professora compreensiva, amigo contador de estórias, cidade de contradições, leituras variadas, injustiça na sociedade, etc., mas outras pessoas tiveram talvez experiências semelhantes e nunca pretenderam enveredar pelos mesmos caminhos. Ficará sempre a dúvida. Poderia por exemplo existir um fugaz sopro de vento e eu continuar por um qualquer curso de engenharia, nunca descobrindo a poesia dos números, à força de os usar sem os saborear. Ao escolher mais tarde a senda sociológica, podia ter limitado a minha imaginação a esse percurso e não o contrário, utilizando-a para a ficção. Por isso é tão complicado responder à questão do como e do quando se faz um escritor. Outros saberão. Prefiro deixar que búzios sejam atirados e os leitores adivinhem ou imaginem. O importante é a delícia e alívio que se tem quando um personagem nos surpreende, se apodera da narrativa e diz, agora sou eu que comando, tu, reles escritor, remete-te ao simples papel de escriba ou oráculo, enquanto eu, o personagem, passo a ditar a ação. Sim, nesse momento há o êxtase do corredor de fundo que ultrapassa as dores, a suprema fadiga, e entra no breve paraíso em que flutua sobre nuvens adocicadas antes do colapso final. Há sempre um colapso, todos o sabemos, mas o que interessa mesmo é o facto de se correr para lá da exaustão e pressentir como poderia ser o paraíso. Tal como escrever e deixar solta a imaginação, mesmo para a mais absurda das estórias. Por muito absurda que seja, nunca ultrapassará certas realidades.
Como vêem, sou um pouco herético sobre uma profissão que o escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro me confessou considerar como pouco decente para um honesto chefe de família. E eu respondi, pois é, mas eu não procurei essa profissão, ela é que me encontrou, decente ou não. E ele perguntou: foi numa encruzilhada de caminhos que foi apanhado? Certamente, disse eu. Perigosos, continuou o baiano, os espíritos das encruzilhadas. De facto, espíritos não conhecem rotundas. Encolhemos ambos os ombros, que havíamos de fazer?, e bebemos mais um copo.
Cada escritor terá a sua estória de como começou a escrever. E nem sempre será a mesma. Esta estória que vos contei não me foi revelada em noite de insónia ou de uma análise às profundezas escuras da minha memória, antes foi sendo construída no decorrer dos anos. Um detalhe ou outro acrescentado ontem e hoje. Não é forçosamente falsa pelo facto de se transmutar frequentemente. Apenas não considerei outras incógnitas que poderei vir a acrescentar à equação matricial daqui a cinco ou dez anos. E a retirar algumas variáveis, entretanto resolvidas pela usura do tempo ou aniquiladas pelos caprichos da moda. É esse o mistério da literatura.
Para benefício de todos nós, leitores.
Mais uma vez, muito obrigado a todos os que conspiraram para que esta cerimónia pudesse acontecer.


Pepetela – 28.04.2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Saúde...



Actualmente, saúde não é só um estado de perfeito bem-estar físico, psíquico e social mas um conceito alargado e dinâmico de bem-estar global em equilíbrio com o ambiente; pressupondo-se assim que os indivíduos sejam capazes de assumir progressivamente a sua própria mudança, numa perspectiva de saúde, com sentido de responsabilidade e através de investimentos quotidianos. C. Djours, citado por F. Navarro (1995), remete-nos para a seguinte definição: "... é a capacidade de cada Homem, Mulher ou Criança, para lutar pelo seu próprio projecto de vida, pessoal e original, em direcção ao bem-estar".


("Leitura a quanto obrigas" - cont.)

terça-feira, 29 de junho de 2010

110º Aniversário...

... a não esquecer

Antoine Saint-Exupéry

domingo, 27 de junho de 2010

..."a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar "




Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.

A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.

Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.

No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.

Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?

Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:

Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?

No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?

• A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
• O mato desconhecido é que é o anonimato?
• O pequeno viaduto é um abreviaduto?
• Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
• Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
• Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
• Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
• O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
• Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
• Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
• Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
• Mulher desdentada pode usar fio dental?
• A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
• As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
• Um tufão pequeno: um tufinho?
• O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
• Em águas doces alguém se pode salpicar?
• Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
• Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
• Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
• Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?

Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.

Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente.

Mia Couto

segunda-feira, 21 de junho de 2010

"Leitura a quanto obrigas..."


"Perfil Psicomotor e as Dificuldades na Aprendizagem da Leitura" - Coisas de Ler, 2010

É o último livro que ando a ler.

A autora, Maria Isabel Almeida, é pedopsiquiatra, mestre em Saúde Escolar, foi docente no Instituto Superior Miguel Torga da disciplina de Psicopatologia do Desenvolvimento no Mestrado de Psicologia Clínica, exerce clínica em consultório e Consultadoria em Pedopsiquiatria. É membro da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

Apesar de ser um livro mais destinado à prevenção destas dificuldades, com um estudo de crianças em idade pré escolar, considero que se enquadra no tema deste blog pois é fundamental perceber como se processam as aprendizagens e quais os seus impedimentos.

É fundamental conhecer melhor cada formando e tentar optimizar o ensino e a aprendizagem em cada sessão o que poderá acontecer se se tiver em consideração todo o nosso suporte prático e teórico – que este livro vem enriquecer – bem como o conhecimento das suas histórias de vida.



As citações de hoje:

"O desenvolvimento e as aprendizagens adquiridas dependem da qualidade das estimulações fornecidas pelo meio envolvente e da qualidade das interacções."

"Alguém que sofra repetidas vezes a experiência de se encontrar numa situação em que nada pode fazer para modificar as circunstâncias que a rodeiam, ficará cada vez menos motivada para tentar influênciar o ambiente em que se insere."

domingo, 20 de junho de 2010

Uma avaliação... de Ensino Recorrente!... (II)


Áreas Avaliadas e respectivos Objectivos Gerais:

Perceptiva -
Desenvolver a sua percepção visual, táctil, auditiva, espacial geral, espacial gráfica, temporal.

Motora
Desenvolver a sua motricidade: geral, fina, coordenação óculo-manual, coordenação grafo-manual.

Verbal
Desenvolver a sua compreensão verbal, raciocínio verbal, leitura, ortofonia e logopedia, fluência verbal e escrita.

Mnemónica
Desenvolver a sua memória visual e auditiva.

Numérica
Desenvolver a sua área numérica, nomeadamente: conceitos numéricos básicos, cálculo, raciocínio abstracto.

Emocional / Social
Desenvolver a sua área emocional afectiva, social



Observações

Dadas as características do grupo, condições de trabalho e, principalmente, a heterogeneidade do nível de aprendizagem, não podemos avaliar da forma – atingido/não atingido – as áreas que considerámos importantes e que fomos tentando desenvolver ao longo deste ano lectivo.

A avaliação será global e nela constarão os seguintes pontos:

Alunos – Aprendizagem, assiduidade, comportamento, relações interpessoais, auto-avaliação

Professoras – auto e hetero avaliação

Núcleo do Ensino Recorrente/ANEFA – Apoio prestado e actividades desenvolvidas.

Instituição onde decorreram as sessões
– Apoio prestado e actividades desenvolvidas.


É importante esclarecer que algumas destas áreas aparecem por termos achado pertinente o seu desenvolvimento, uma vez que, após uma breve avaliação inicial, constatámos que alguns elementos do grupo tinham tido um breve e fortuito contacto com o material de escrita e seus instrumentos, e outros ainda não conseguiam comunicar de forma consistente em Língua Portuguesa.

AVALIAÇÃO GLOBAL

Alunos

– Aprendizagens:
- Área Verbal –
Podemos considerar que todos se encontram a um nível superior ao que tinham quando iniciaram este curso. Todos são capazes de escrever o seu nome, se bem que uns ainda necessitem de modelo. Há alunos que conhecem as vogais e silabas simples. Alguns estão na fase de consolidação dos casos de leitura. Poucos são os que são capazes de ler e interpretar um texto adequado à sua faixa etária assim como em escrever um texto onde exponha as suas ideias sobre determinado tema relacionado com o seu dia a dia. A maioria é capaz de copiar a letra de imprensa passando-a para manuscrita.

Há a salientar, ao longo deste ano lectivo a sua maior adesão a propostas de debate de assuntos considerados por todos de interesse e um maior cuidado na elaboração quer de textos colectivos quer de textos individuais cujo conteúdo seria passado a computador para poder ser publicado e partilhado no Jornal.


- Área Numérica – Verificou-se uma maior adesão, durante este ano lectivo, à técnica escolar relacionada com esta área, uma vez que já eram os alunos que nos solicitavam problemas onde fossem necessárias as várias operações para os resolverem. Também aqui há vários níveis de aprendizagens: há um elemento do grupo que ainda não consegue associar o número à quantidade, há alunos que só conseguem somar sem transporte, outros que somam com e sem transporte e subtraem com e sem empréstimo e outros que conseguem resolver até divisões com dois algarismos no divisor.


- Área Social e Emocional – Tentou-se trabalhar a comunicação assertiva de uma forma indirecta e achamos , sinceramente que as atitudes e os comportamentos se foram alterando de forma positiva ao longo deste ano lectivo , tal como vinha sucedendo no ano anterior.


- Assiduidade – O nível de assiduidade ao longo deste ano foi muito elevado, tendo-se verificado um aumento do cuidado nas justificações escritas das faltas, apesar de ainda haver um trabalho de responsabilização nesse sentido.


- Actividades paralelas e/ou complementares – (Conferências, Palestras, Visitas, Convívios, Aulas de Desenvolvimento Pessoal e Social/Educação para a Cidadania)
Aqui foi onde a modificação de comportamentos, apesar de uma maior adesão, pouco se verificou pois continua a haver uma grande resistência da maioria do grupo em aderir.


- Auto – avaliação – Após uma reflexão oral conjunta, verificamos com agrado que todos os alunos se mostraram satisfeitos com os progressos alcançados, assim como pela forma como os conteúdos foram apresentados, bem como pela maneira que consideraram agradável, como decorreu este ano lectivo.


- Professoras: Considerando as características do grupo e as condições de trabalho, achamos que este ano foi positivo.

Gostávamos de indicar algumas alterações que consideramos fundamentais para que o próximo ano lectivo seja mais eficaz e menos fatigante dado o grupo heterogéneo que, sabemos, se irá manter:

- Era importante que se conseguisse adaptar um armário/ estante, de modo que os cadernos dos alunos estivessem acessíveis aos alunos, bem como todo o material de apoio, de forma a também assim podermos aumentar a autonomia dos alunos;

- Também a sala deveria ter, pelo menos, uma parede (com corticite ou esferovite) adaptada à colocação de materiais de apoio às aprendizagens bem como de trabalhos colectivos ou individuais que pudessem servir quer para aumentar a auto-estima quer de suporte a aprendizagens quer ainda de auto e hetero avaliação. Serviriam ainda de suporte a materiais que iremos implementar na nossa mudança de estratégia no ensino-aprendizagem que pretendemos para o próximo ano lectivo.

- Ainda faltam arquivadores para o material necessário a cada um dos níveis de aprendizagem (e são muitos).

- Falta material de desgaste e de apoio específico para este tipo de população (cadernos pautados A4, cola em batom, bicos de feltro, lápis de cor, lápis, borracha, caneta, tesoura, cartolina, agulha de lã, agulha fada do lar, lã, tecidos, agulha, linha, papel vegetal de engenharia, mapas de Portugal, da Europa e do Mundo, retroprojector, computador, vídeo, etc.

Coordenação do Ensino Recorrente / ANEFA – Esteve sempre presente e colaborante.

Instituição - Foi quem disponibilizou as salas e algum material e quem nos forneceu alguns dados sobre os formandos quando solicitado.


SUGESTÕES PARA O PRÓXIMO ANO LECTIVO

Após uma reunião de reflexão conjunta sobre o funcionamento destes dois anos lectivos com esta população chegámos à conclusão que seria importante que houvesse:

- encontros periódicos, programados, para troca de informações formais e informais consideradas pertinentes, entre todos os intervenientes da acção educativa (professores, assistentes sociais, psicólogas);

- dinamização de ateliers na Instituição(pintura, artesanato, costura, cerâmica, cozinha)de modo a motivar os formandos para a aprendizagem (estes temas foram-nos fornecidos por eles num questionário que apresentámos como elemento da avaliação final onde eram pedidas sugestões para o próximo ano lectivo) Estes ateliers são ainda uma forma de optimizar o espaço existente na instituição;

- uma monitora, com formação, para a sala dos filhos das formandas e com aulas planeadas, material lúdico, enquanto estas estão nas aulas...

- elaboração de um livro de apoio para o ensino recorrente especialmente para iniciados da alfabetização de adultos tendo por base palavras geradoras possíveis pois o meio está muito estudado bem como as actividades da sua população - nomeadamente dos formandos e ainda relacionadas com cada um dos ateliers por eles sugeridos;

- elaboração do calendário para os quatro ateliers cuja criação se sugeriu para os formandos do ensino recorrente, pela Instituição.

Estas são algumas das considerações que achamos conducentes a uma optimização do ensino/aprendizagem no próximo ano lectivo.

AS PROFESSORAS,


Tomei conhecimento,

Uma avaliação... de Ensino Recorrente!...(I)


O Ensino Recorrente caracteriza-se pela flexibilidade e adaptabilidade aos grupos a que se destina e pela atenção que dá à multiplicidade das vivências, necessidades, interesses, níveis e ritmos de aprendizagem.

Tem objectivos muito próprios assegurando a escolaridade de segunda oportunidade.

Objectivos:

“O Ensino Recorrente corresponde à vertente da educação de adultos que, de uma forma organizada e segundo um plano de estudo, conduz à obtenção de um grau e à atribuição de um diploma ou certificado equivalentes aos conferidos pelo ensino regular.”

•“...caracteriza-se por uma organização específica que atende aos grupos etários a que se destina, bem como à experiência de vida entretanto adquirida e ao nível de conhecimentos demonstrados pelos seus destinatários.”

•São objectivos próprios do ensino recorrente:

a) Assegurar uma escolaridade, de segunda oportunidade, aos que dela usufruíam nas idade própria, aos que abandonaram precocemente o sistema educativo e aos que procuram por razões de promoção cultural ou profissional.

b) Atenuar os desequilíbrios existentes entre os diversos grupos etários, no que respeita aos seus níveis educativos.

•O Ensino Recorrente compreende os níveis de ensino básico – 4º ano de escolaridade, 6º ano de escolaridade, 9º ano de escolaridade e o ensino secundário.

Mais textos...



Ensinar, não é transferir conhecimento


Paulo Freire

Março 27, 2009

Segundo Freire:

• Há necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. Sem essa reflexão, a teoria pode ir virando apenas discurso; e a prática, activismo e reprodução alienada.

• Toda a teoria deve ser coerente com a prática quotidiana do professor, que passa a ser um modelo e influenciador de seus educandos: não seria convincente falar para os alunos que o alcoolismo faz mal à saúde e tomar bebidas alcoólicas, deve-se ter ‘raiva’ da bebida, pois a emoção é o que move as atitudes dos cidadãos e estas partem do conhecimento, do respeito aos outros e a si mesmo, ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes o exercício da criticidade ao lado do reconhecimento das emoções – um aprendizado próximo, sem a frieza e mecanicismo do simples fato de aprender e receber conhecimentos.

• Há a necessidade dos educadores criarem as possibilidades para a produção ou construção do conhecimento pelos alunos(as), num processo em que o professor e o aluno não se reduzem à condição de objecto um do outro. Insiste que “…ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção” , e que o conhecimento precisa ser vivido e testemunhado pelo agente pedagógico.

• Exige comprometimento sendo necessário que nos aproximemos cada vez mais de nossos discursos de nossas acções. Sendo professor, é necessário interpretar as entrelinhas do que ocorre no espaço escolar e estar ciente de que a sua presença nesse espaço não passa desapercebida pelos alunos(as).

(clique no título para ver o Blog de onde retirei o texto)