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terça-feira, 26 de abril de 2011

Michael Halliday - Language evolving: Some systemic functional reflections on the history of meaning



O desenvolvimento da linguagem aparenta uma concepção bastante simples: ela surgiu no trabalho de estudiosos da história das formas linguísticas (fonologia, morfologia, sintaxe, entre outros). Mas a língua é um sistema semiótico, ou mais importante uma "semogenic", o significado de criação, o sistema, e significa também que tem uma história altamente complexa.

Cada língua tem as suas próprias formas de significação (em constante evolução), ainda mais quando os seus recursos são partilhados com outras línguas. Procuramos a história do significado ao longo de caminhos diferentes: na história da forma de linguagem, na história dos povos que a falam, na história da localidade onde ela é falada e na história dos seus variados contextos culturais.

Considere-se o Inglês e o Chinês, como duas línguas faladas e amplamente documentadas. A história do significado em Inglês inclui mudanças que ocorreram em grego e em latim antigo e medieval, embora o Inglês não seja "descendente dessas" línguas, o chinês sofreu um pouco menos de perturbação, mas a história do mandarim envolve contacto com formas de significado derivado do sânscrito e da Mongólia, ambos também "alheios" ao chinês. Eu acho que, para estudar a história do sentido, nós levamos em conta tanto o desenvolvimento da linguagem infantil e do surgimento de formas de conhecimento do discurso, nós mantemos uma perspectiva trinocular; e nós procuramos na abordagem sistémica e funcional (especialmente metafunctional) a explicação dos padrões da semiótica do discurso.


Tradução livre da introdução do discurso de Halliday no 37th International Systemic Functional Congress - The University of British Coulumbia, Vancouver,BC (ver aqui o original)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Análise Temática (Tema Rema...Conhecido Desconhecido cont.)


Imagem daqui.

(...)Para a interpretação-compreensão de um texto, o ouvinte/leitor tem de fazer uma integração sucessiva de representações semânticas parciais, que correspondem às frases da superfície textual, linearmente ordenadas, de modo a construir o significado global. Neste processo interpretativo, consequentemente, as instruções presentes logo no início da frase, no tema, têm um papel crucial no processamento da informação contida nas sequências textuais e na construção da estrutura global. Os resultados da análise que realizámos sugerem que, de facto, em posição temática estão presentes elementos que funcionam como instruções iniciais que ajudam o ouvinte/leitor a prever a orientação discursiva das sequências que iniciam e a(s) respectiva(s) função(ões) superestrutural(is). Os elementos temáticos funcionam, portanto, como as primeiras instruções da superfície textual com a função de activar uma série de procedimentos interpretativos.

A análise temática parece ser, pois, um útil método de análise para a compreensão do que leva um leitor/ouvinte competente a ter expectativas bastante seguras acerca do tipo de texto, logo desde o início da sua apreensão. A análise temática pode, assim, constituir um elemento de acesso ao conhecimento de algumas das dimensões da competência textual específica.

Limitamo-nos, aqui, a sugerir esta via de investigação. Os resultados da nossa análise fazem-nos crer que se trata de um instrumento bastante útil e fecundo. Estamos conscientes, no entanto, de algumas limitações deste trabalho. Em primeiro lugar, o reduzido número de textos — os objectivos deste trabalho exigiam que procurássemos confrontar diferentes tipos de texto, mas desaconselhavam que tivéssemos a pretensão de um estudo exaustivo das diferenças tipológicas. Por outro lado, fazemos apelo apenas à nossa competência textual (geral e específica), sem compararmos e testarmos os procedimentos que utilizamos neste momento com os de outros falantes do Português. Por último, parece-nos que será conveniente uma mais sólida sustentação em investigações de Psicolinguística e de Psicologia Cognitiva, designadamente no que se refere ao modo como se processam a interpretação e a representação mental dos textos/discursos, no âmbito dos processos cognitivos que sustentam a construção de significado.

Apesar destas limitações do nosso trabalho, parece-nos que esta via de investigação se revela bastante adequada e pertinente para o estudo das especificidades tipológicas. A aplicação deste método de análise a corpora extensos e diversificados permitirá, com certeza, uma sólida fundamentação linguística das propriedades dos protótipos textuais que os falantes actualizam constantemente nas suas interacções verbais.


Ver todo o texto "Análise Temática - Contributos para o estudo das diferenças textuais tipológicas" de Maria da Felicidade Araújo Morais aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tema Rema (ainda...)



O USO DOS CONECTORES INTRA E INTERFRÁSTICOS SOB OS ENFOQUES FUNCIONAL E ENUNCIATIVO
Luisa Helena Borges Finotti

Pressupostos Teóricos
Inicialmente iremos nos basear nos princípios organizacionais da sentença ou function sentence perspective (FSP), postulados por Danes(1974).

Segundo esse princípio de organização lingüística, é possível perceber, a partir da detecção do tema e do rema das sentenças, a estruturação do texto escrito, ou seja, sua configuração macroestrutural, e, dessa maneira, analisar a progressão temática, assim como o uso dos conectores inter e intrafrásticos.

A expressão FSP tem origem nos questionamentos de Mathesius (1974), apud FIRBAS,J. (1974), a quem se pode atribuir a iniciativa desses primeiros estudos.
Entretanto, foi por intermédio da monografia do francês Henri Weil, intitulada De l’ordre des mots dans les langues anciennes compareés aux langues modernes, que o fenômeno da organização textual obteve sua base.

Segundo Weil (1844) , a ordem das palavras na sentença obedece a certos padrões que revelam o percurso mental do indivíduo. Tais padrões predispõem o indivíduo a formular sentenças bipartidas, ou seja, toda sentença possui um ponto de partida ou um desencadeador do discurso e um objetivo que representa a informação a ser comunicada ao ouvinte. Esse padrão de organização se mantém em todo e qualquer falante mesmo se considerarmos que as línguas possam divergir quanto ao emprego das construções sintáticas.

Baseado na proposição de Weil, Mathesius questiona o papel desempenhado pela FSP ao determinar a ordem das palavras, oferecendo, dessa forma, sua maior contribuição para a teoria. O fenômeno da ordem das palavras constitui, segundo ele, “um sistema caracterizado pela hierarquia do princípio da ordenação das palavras, hierarquia essa determinada pela extensão e pela forma por meio da qual o princípio opera.”
Mathesius sustenta que, no processo comunicativo, esse princípio de ordenação de palavras, realizado pelo léxico e pela gramática, serve a um determinado propósito do falante, em um dado momento. Esse propósito atende às necessidades do contexto e, como tal, determina as especificidades lexicais empregadas na sentença.


Ver todo o artigo aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Michael Halliday e Gramática Sistémico Funcional




Imagem daqui.

Segundo Halliday (Halliday, 1973, 1978, 1985, 1994; Halliday & Matthiessen, 2004) e seguidores (Eggins, 1994; Martin, Matthiessen, & Painter, 1997; Thompson, 1996, 2004), ao nos comunicarmos, utilizamos a linguagem realizando três tipos de significados simultâneos:

um ligado ao relacionamento entre as pessoas (Metafunção Interpessoal),
outro responsável pela representação do mundo (Metafunção Experiencial)
e um último que dá à sentença seu status de mensagem (Metafunção Textual).

Neste capítulo,trabalharemos com a Metafunção Experiencial, que está ligada ao uso da língua enquanto representação, o que inclui tanto o mundo externo – eventos, elementos – como o mundo interno – pensamentos, crenças, sentimentos.

A realização dessas representações ocorre através da Transitividade. Thompson (1994: 78)afirma que é importante ter em mente que esse termo tem significados diferentes na
Gramática Tradicional e na Gramática Sistêmico-Funcional (GSF).

Na gramática tradicional, a transitividade é um princípio que parte da presença (ou não) do objeto (direto ou indireto)para classificar o verbo. Entretanto, na GSF, o Sistema de Transitividade tem um sentido muito mais amplo (Thompson, 1996: 78), estando relacionado à descrição da proposição como um todo, o que implica na escolha de processos (elementos verbais) e seus argumentos(Eggins, 1994: 220).
Para Halliday (Halliday; Halliday & Matthiessen, 2004), nesse sistema o falante constrói um mundo de representações, baseado na escolha de um número tangível de tipos de processos(os quais serão descritos mais adiante).

Analisando o exemplo (1) abaixo, podemos observar que, no Sistema de Transitividade, cada proposição consiste de três elementos: 1) o processo (o elemento central), 2) seu(s)participante(s) e 3) circunstâncias, que são de caráter opcional. O processo é representado por um grupo verbal, e é a ação propriamente dita, ao passo que os participantes são, normalmente, representados por grupos nominais, os quais podem realizar a ação ou serem de alguma forma afetados por ela; já as circunstâncias são representadas por grupos adverbiais e sua função é adicionar informações ao processo.

O grande terremoto destruirá a Califórnia a qualquer momento.

O grande terremoto
Participante 01
(que realiza a ação)

destruirá
Processo Material

a Califórnia
Participante 02
(afetado pela ação)

a qualquer momento
Circunstância
(quando o fato pode ocorrer)

No caso do exemplo acima, "o grande terremoto" (participante 01) realiza a ação de "destruir” (processo), a qual recai sobre "a Califórnia" (participante 02), sendo que essa ação é localizada no tempo "a qualquer momento" (circunstância).


Ver o texto completo aqui.