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domingo, 4 de novembro de 2012

A Língua Portuguesa em Angola Um Contributo para o Estudo da sua Nacionalização - Domingos Nzau -

Imagem daqui. 


Resumo
O desenvolvimento de uma investigação sobre um país como Angola reveste-se de alguns aspectos muito particulares não só pela vastidão geográfica, como, de igual modo, pela diversidade cultural, linguística e histórica de que é portador, onde línguas e culturas de origem africana e europeia se entrecruzam, tentando, em simultâneo, delimitar espaços e mentalidades. Pretendendo encontrar soluções advindas desta problemática, vários trabalhos têm vindo a lume, no sentido de proporem caminhos considerados mais adequados em prol de uma sã harmonia.

Nesta perspectiva, a abordagem da temática linguística angolana sugere alguma prudência: primeiro, por ser uma área sensível que envolve questões de identidade individual ou colectiva; segundo, por se tratar de uma sociedade de tipo pluralista, onde coabitam povos com línguas e culturas próprias e, consequentemente, indivíduos que tentam manter as suas identidades. No seio desta osmose cultural e linguística se vem realizando a língua portuguesa, que, desde a sua introdução no século XV, passando pela proclamação como língua oficial em 1975, até à actualidade, tem vindo  a conhecer um processo de expansão territorial, com dinâmicas de contornos algo irreversíveis. Em consequência do processo expansional, observa-se a acentuação do contacto da mesma língua com indivíduos residentes em zonas outrora de “exclusividade” das denominadas línguas nacionais de origem africana, tendo como efeito um aumento galopante do número de falantes maternos e não maternos.

Perante as evidências, numa altura em que se perspectiva o futuro da “nação” angolana através de distintas iniciativas políticas, sociais, académicas e outras, envolvendo entidades específicas, problematizar os mitos que ainda pairam sobre o passado e o presente da língua portuguesa, visando perspectivar o seu futuro, não é apenas legítimo e imperioso, como é, igualmente, desafiador. O percurso para a materialização do desafio gira, assim, em torno de quatro questões centrais: nacionalização da língua portuguesa, democratização de ensino (bilinguismo), consciência de assunção e distribuição da frequência do seu uso.

Deste modo, antes de partirmos para a análise baseada em métodos quantitativos e qualitativos, propusemos, como ponto de partida, por um lado a problemática das etnicidades angolanas e a relação estabelecida entre língua e sociedade, tendo como pano de fundo o exame do panorama linguístico angolano e as funções da língua portuguesa em Angola respectivamente, e, por outro a trajectória da língua portuguesa em busca da nacionalização. 

Constatamos, ainda que os resultados suscitem prudência quanto a generalizações em termos nacionais, a existência de um processo em curso, que pode emergir na nacionalização da língua portuguesa a curto, médio ou longo prazo. Tal constatação deriva do facto de os resultados fornecidos pela empiria revelarem uma clara tendência de assunção da língua portuguesa, a par de uma frequência cada vez mais generalizada do uso desta, assim como de uma consciência de cooperação recíproca entre esta e as suas congéneres de origem africana. 

Finalmente, propomos para investigações futuras a confirmação da tendência anunciada, com recurso à investigação empírica mais abrangente, de maior representatividade nacional, albergando, em proporcionalidade, não apenas falantes de língua portuguesa em situação de língua materna ou segunda, mas, de igual modo, as duas principais zonas habitacionais da população angolana: zona rural e urbana. 



(...)
Introdução
A problemática da investigação

A escolha do título “A Língua Portuguesa em Angola: um Contributo para o Estudo da sua Nacionalização” para designarmos a nossa investigação não é inocente. Com efeito, ela resulta do desafio de querermos ser também partícipes duma discussão em crescendo desde a década de 80 do século XX, porém mais vincadamente a partir da década de 90, sobre a questão da nacionalização da língua portuguesa. Tal discussão procura problematizar se se pode reconhecer à língua portuguesa o estatuto de língua nacional e não apenas língua oficial e veicular como, de resto, é habitual designá-la, ou se, pelo contrário, se deve reservar o estatuto “nacional” apenas às línguas de origem africana. Estamos, pois, perante uma temática pertinente - tal como são as questões relacionadas com o modelo organizacional que melhor se adequa à realidade angolana, as questões de interesse económico e a valorização dos padrões de referência e de unidade nacional  – apesar do seu carácter sensível, por envolver sentimentos de identidade.

Ver tese integral aqui.



domingo, 30 de setembro de 2012

REPRESENTAÇÕES COLONIAIS: HISTÓRIA E LITERATURA ANGOLA, OS ANGOLANOS E SUAS CULTURAS (1924-1939)


  Imagem daqui.


TESE DE DOUTORAMENTO EM HISTÓRIA DE ÁFRICA (FLUL)
de Alberto Oliveira Pinto*

RESUMO
Este estudo organiza-se em torno das representações culturais que Angola e os angolanos assumiram no discurso escrito colonial português, entre 1924 e 1939. Se a perspectiva em que nos situamos se integra no campo teórico da história das mentalidades ou dos imaginários, pretendemos igualmente pôr em evidência a importância da literatura colonial que, sendo, como outros domínios de expressão artística, um registo da memória social, constitui uma fonte incontornável da história de Angola.
Associam-se dois factos de natureza diferente que tiveram, contudo, um papel fundamental na consolidação do imaginário português a respeito das realidades africanas : a criação da Agência Geral das Colónias, em 1924, e a organização do Concurso de Literatura Colonial, em 1926, cujo objectivo era o de chamar a atenção dos escritores para as colónias, contribuindo assim para reforçar e difundir as imagens do africano, em consonância com o projecto colonial português.
Estudam-se, como fontes primárias, obras literárias publicadas antes do deflagrar da IIª Guerra Mundial, de entre as quais, mercê do vigor ideológico nelas contido, se destacam as de carácter narrativo, ou sejam, os contos e os romances. A selecção de tais obras só pode ser pertinente, do ponto de vista da evolução da política colonial portuguesa, se tiver em conta a publicação, em 1930, do Acto Colonial, texto fundamental do colonialismo português. Três das obras seleccionadas, de Hipólito Raposo (1926), de Emílio de San Bruno (1929) e de Henrique Galvão (1929), são, portanto, anteriores ao Acto Colonial, sendo as outras quatro, de Guilherme d’Ayala Monteiro (1930), de Henrique Galvão (1933 e 1936) e de Luís Figueira (1933), posteriores a esse marcador cronológico que é sobretudo político. Todas evidenciam, pelo recurso a noções « científicas » de conteúdo racista, uma evolução que reforça a desvalorização do Outro.


Ver Tese integral aqui.

 *Professor Doutor ( Currículo em breve)







quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mais um autor... Alberto Oliveira Pinto

 Imagem daqui.

Alberto Oliveira Pinto é um dos fundadores e dinamizadores do Centro de Estudos Multiculturais, onde, para além das suas aulas, tem orientado pesquisas sobre temática africana.
  
Ver Centro de Estudos Multiculturais (CEM) aqui.

É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e da União dos Escritores Angolanos (UEA).

Ver Associação Portuguesa de Escritores aqui  

Ver  União dos Escritores Angolanos aqui.


Ver autor em www.angolanos.net: Literatura e Artes Plásticas Angolanas aqui.
Ver autor no Projecto Vercial aqui.

Associação "Chá de Caxinde"


Em 1989, Luanda vivia num vazio cultural e sob o peso do recolher obrigatório resultante da guerra em que Angola estava mergulhada. A Associação Chá de Caxinde foi criada nesse ano como resposta a este cenário.
Chá de Caxinde é não só um nome incontornável na cultura angolana mas também local obrigatório para quem quer respirar e fazer parte do que de melhor se faz em Luanda nos mais variados domínios das artes, do debate e da reflexão.
Hoje, recorda Jacques dos Santos, 68 anos, fundador da Associação, Luanda é uma cidade com múltiplas ofertas culturais. Mas não era assim em 1989, quando, no dia 28 de Janeiro desse ano, reuniu mais oito pessoas, a quem chama de “grupo percursor”, e lançou as bases daquilo que é hoje o Chá de Caxinde.
Os primeiros tempos não foram fáceis. A sociedade de Luanda olhava com alguma desconfiança para uma Associação que se propunha abrir as mentes e estimular os “espíritos” através da cultura. O país estava em guerra. A Associação só conseguiu impor-se junto da sociedade quando partiu para a organização de eventos culturais, que abarcavam a música, a dança ou a literatura. Foi assim que mais gente se juntou à volta desta ideia. “Servir uma feijoada para cerca de trezentas pessoas no Karl Marx, misturando farra com capoeira e poesia. Introduzir modificações substanciais no desfile do Carnaval de Luanda. Realizar o 1º Encontro de Escritores Angolanos na cidade do Lubango. Visitar, no tempo e nas condições em que o fizemos, as ruínas de Massangano. Tudo isto eram actividades que não estavam nas nossas perspectivas iniciais mais optimistas”, confessa Jacques dos Santos.
Surge depois o símbolo da Associação, criado pelo escritor Luandino Vieira, que ganhou um concurso realizado para este efeito. Veio depois a procura das instalações próprias, uma prioridade do primeiro executivo que tomou posse em 26 de Maio de 1990. “Um responsável amigo cedeu–nos umas instalações que nos serviam na perfeição. Depois do papel passado, para surpresa nossa, foi entregue a um cidadão estrangeiro, por ordem e mando de um Comissário Provincial-adjunto de Luanda, sem a gentileza de um aviso ou explicação. Tentámos outros sítios como o velho Atlantic Palace Hotel, o antigo Flamingo, à Praia do Bispo, e as instalações da antiga Estação da Cidade Alta, à Maianga.
Foi então que, com o indispensável apoio do Ministério da Cultura, se retirou dos escombros o velho “Nacional Cine Teatro”, e nos foi cedido este espaço emblemático onde hoje está instalada a nossa sede.
A 28 de Janeiro de 1990, foi assinada a Acta de Proclamação da Associação, subscrita por 100 pessoas”, lembra Jacques dos Santos, que é escritor e foi deputado do MPLA.
Actualmente a Associação possui cerca de 700 associados das mais diversas profissões e grupos sociais que têm em comum a vontade de resgatar, promover, incentivar e divulgar a cultura angolana.
Como já se disse, foi o escritor Pepetela o criador da frase que serve de azimute ao Chá de Caxinde, “Unir pela Cultura”, e também um outro escritor, Luandino Vieira, quem desenhou a “bandeira” da da Associação.
Texto retirado daqui.  

Chá de Caxinde: 
Capim-limão, também conhecido por Capim santo ou Capim cidreira (Cymbopogon citratus, é uma planta herbácea da família das gramíneas, nativa das regiões tropicais da Ásia, amplamente cultivada na Índia. Cresce numa moita de rebentos (planta cespitosa), propagando-se por estolhos (dizendo-se, por isso, estolonífera), os quais apresentam folhas amplexicaules, linear-lanceoladas. As suas inflorescências são constituídas por panículas amareladas. É também conhecido pelos nomes de capim-cidreira, erva-cidreira, capim-cidrão, capim-de-cheiro, e chá de caxinde (em Angola).
Planta medicinal, usada em medicina popular, sendo, para esse efeito, utilizadas as folhas que, em  infusão, têm propriedades febrífugas, sudoríficas, analgésicas, calmantes, anti-depressivas, diuréticas e expectorantes, além de ser bactericida, hepatoprotectora, antiespasmódica, estimulante da circulação periférica e estimulante estomacal e lácteo. Os principais compostos químicos a que se devem estas propriedades são o citral e o geraniol, que lhe conferem uma fragrância intensa e agradável que com que seu uso seja difundido em preparações cosméticas e em produtos de higiene pessoal.
Texto retirado daqui

"Olhares sobre Angola"

Tive o privilégio de assistir.
Obrigada Rogério.

A BPO Advogados, em parceria com a Associação Cultural Chá de Caxinde Portugal, o Espaço Nimas e a Xiiks, promove um evento dedicado ao cinema angolano intitulado “Olhares sobre Angola”. Na próxima quarta e quinta-feira, 20 e 21 de junho, o Espaço Nimas é o palco de uma visita a Angola pelo olhar de alguns dos mais importantes realizadores angolanos. A sócia da BPO Advogados Teresa Boino explicou ao Advocatus em que consiste este encontro que pretende “unir pela cultura”.
Ver texto completo aqui. 
Ver notícia no Sol aqui.